Que tal abrir uma franquia em cidade pequena? Conheça as oportunidades

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Khea Thai - texto Que tal abrir uma franquia numa cidade pequena? Conheça as oportunidades
O restaurante Khea Thai é especializado em culinária tailandesa localizado em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.(divulgação)

Os municípios menores têm despontado como modelos de desenvolvimento nos últimos anos, representando 10% de todas as riquezas produzidas no Brasil e reunindo 11% das empresas formais abertas em território brasileiro. Além disso, o desenvolvimento econômico, a sensação de segurança e a qualidade de vida também são fatores que contribuíram para que esse perfil se tornasse verdadeiro polo de investimento para a instalação de franquias em cidades pequenas.

Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF)  apontou que o fenômeno da interiorização tem avançado cada vez mais no país, sobretudo no estado de São Paulo, onde os municípios têm registrado um crescimento maior, em número de unidades franqueadas, do que a capital.  Isso pode ser explicado por diversos aspectos, como custo de ocupação baixo, grande potencial de consumo, saturação das capitais e grandes metrópoles e cenário de crise.

Setor de saúde é destaque para franquias em cidades pequenas

Dentre os setores que vem acompanhando com atenção o crescimento do potencial das cidades menores, destaca-se o da saúde. As redes de clínicas médicas e odontológicas PartMed e OdontoCompany, por exemplo, têm um plano agressivo de expansão nessas localidades. As empresas pretendem inaugurar entre 500 e 600 novas unidades em municípios com população entre 30 mil e 100 mil habitantes nos próximos quatro anos.

“Nós, que lidamos com o setor da saúde, sabemos da carência e da ineficiência desse tipo de serviço em cidades pequenas, além da falta de concorrência de mercado”, diz Felipe Naresi, gestor nacional de expansão das empresas do segmento de saúde da SMZTO, entre elas a OdontoCompany e a PartMed.

A importância de ser o primeiro

O gestor ressalta, ainda, a importância de ser o primeiro a chegar em determinada região para conquistar um espaço precioso no mercado das cidades pequenas, entre 30 mil e 100 mil habitantes. “O setor de saúde nas cidades afastadas dos grandes centros, é muito promissor, e quando se alcança um nível profissionalizado de trabalho nesses locais, você vira uma referência no que faz”, complementa Naresi.

Se há algo que seduz os investidores nas cidades menores é o baixo custo de implantação. É possível abrir e montar franquias em municípios longe dos grandes centros urbanos com um valor de investimento menor do que nas metrópoles, e ainda ter custo operacional menor.

Cautela rumo ao crescimento

Estes foram os fatores determinantes para que a chef de cozinha e sócia-fundadora da rede de restaurantes especializada em culinária tailandesa Khea Thai, Milene Dellatore, abrir seu negócio em São José do Rio Preto. “Errar em São Paulo é muito caro, mas errar no interior é mais barato, então escolhi uma cidade importante para o noroeste paulista, com um PIB muito alto e que era o berço das franquias”, esclarece Milene.

Antes de abrir a unidade de São José do Rio Preto em 2015 e abrir duas franquias em Curitiba no ano seguinte, Milene e a sócia, a jornalista Malu Pontes, fizeram a lição de casa. Mesmo tendo descoberto um nicho de mercado até então inexplorado no Brasil, Milene resolveu agir com cautela. Primeiro abriu um “restaurante” delivery dentro do próprio apartamento no bairro de Moema, em São Paulo, a fim de testar a demanda pela culinária tailandesa.

Pesquisar antes é fundamental

A experiência logo se provou ser um sucesso, e a empreendedora passou a receber uma demanda muito maior do que podia atender. Concluiu que era o momento de dar o segundo passo. Consultou o Sebrae, a ABF e alguns especialistas em pesquisa de mercado.

Após realizar uma série de pesquisas e analisar vários fatores, entre eles, baixos custos de aluguel e mão de obra, segurança, tranquilidade e oportunidades de negócio, Milene e a sócia finalmente escolheram a cidade de São José do Rio Preto para abrir seu empreendimento. “O aluguel de uma loja que custa R$ 5 mil em Rio Preto, custa R$ 16 mil em Curitiba”, ressalta Milene.

Riscos e oportunidades

Embora abrir um negócio em cidades de pequeno e médio porte tenha inúmeras vantagens, inaugurar uma franquia nesses municípios não é, por si só, garantia de sucesso. “É importante lembrar que a franquia, como qualquer negócio comercial, guarda riscos”, diz Marina Nascimbem Bechtejew, advogada membro da ABF.

A especialista explica que é importante realizar uma pesquisa dos concorrentes e do comércio em geral para que o produto ou serviço ofertado pela loja possa competir de forma saudável e ganhar espaço. “É essencial avaliar os pontos comerciais, principalmente para verificar os custos envolvidos para adequá-lo ao padrão indicado pela franqueadora, além de fazer um estudo prévio de mercado, para que o investidor saiba se na cidade escolhida cabe, ou não, o negócio pretendido”, alerta Marina.

Empreender em uma cidade pequena pode ser tão desafiador quanto empreender em um grande centro. Tomados os devidos cuidados, o sucesso poderá ser certo.

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