Fazer mudanças numa franquia. Afinal, pode ou não pode?

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Quando um empreendedor compra uma franquia, ele adquire da franqueadora a garantia de acesso a um modelo de negócio testado, aprovado e reproduzido em rede, muitas vezes, em milhares de outras unidades. Quem busca uma franquia não quer partir do zero. Quer investir em um empreendimento com muito mais chance de dar certo.

Por isso, entre as inúmeras cláusulas que regem o contrato de franquia, está o compromisso de seguir à risca todas as orientações estabelecidas pela franqueadora, para obter o mesmo resultado comprovado pelo modelo de negócio. Entre essas regras, uma é a de não tentar promover nenhum tipo de mudança na franquia de forma unilateral.

Muitos franqueados, hora ou outra, acaba pensando: mas se a minha ideia é boa, por que não posso implementá-la? O fato é que, se cada franqueado decidir, por conta própria, fazer mudanças ou deixar de seguir o que estabelece o contrato, o negócio perde sentido como franquia. E o mais grave é que pode acabar colocando em risco a sustentabilidade da rede e prejudicar centenas ou milhares de outros franqueados da marca.

Para manter tudo em ordem, as franqueadoras acompanham de perto qualquer mudança na rede. Além das auditorias, que são feitas com regularidade, o franqueado recebe as consultorias de campo. Sem contar denúncias de outros franqueados, insatisfeitos com o mau comportamento de um de seus pares.

Sem retoques

Em tempos de mídias sociais, é quase impossível manter em segredo qualquer mudança feita sem autorização. Na realidade, elas tornam o monitoramento até mais fáceis para as franqueadoras. “O franqueado, quando cria inovação, não guarda para si, quer dar publicidade, e as redes sociais são um caminho natural dessa divulgação”, diz Daniel Guedes, especialista da SMZTO.

De acordo com Guedes, em geral, as franquias não precisam ser retocadas. Elas são formatadas de forma a replicar um modelo de sucesso para todos os franqueados. Mas cada franqueadora tem o seu estilo de gerenciar inovações e sugestões vindas da rede. “Usualmente, o franqueado pode sugerir a ideia de um produto, serviço ou campanha, mas não pode implementá-la sem permissão”, afirma Guedes. Nesses casos, as sanções podem ir de uma simples advertência até o descredenciamento do franqueado.

O mais comum, segundo o especialista, é as franquias mais abertas constituírem comitês de franqueados para avaliar se a eventual ideia deve ou não avançar. Guedes conta que, normalmente, o franqueado é autorizado a fazer, na sua unidade, um piloto daquele produto, serviço ou campanha que ele está idealizando, arcando com os custos e o risco. “Se o piloto for bem-sucedido, aí esse produto, serviço ou campanha também pode ser liberado para o restante dos franqueados.”

Guedes defende que é importante as franqueadoras olharem o lado positivo das criações propostas por fraqueados. Segundo ele, ter muitas cabeças à frente da operação, pensando sobre o mesmo negócio, pode ser mais eficiente do que o contrário.

Bons exemplos

Quando bem orquestradas, essas inovações vindas das redes podem até se tornar grandes cases de sucesso. Afinal de contas, quem tem perfil empreendedor, normalmente, não é acomodado. “O Big Mac, por exemplo, foi criado por um franqueado e tornou-se o produto principal da rede McDonald’s”, lembra o especialista da SMZTO.

Guedes tem exemplos bem mais próximos de inovação vinda de franqueados. “Dentro da nossa rede de restaurantes, a L’Entrecotê de Paris, a sobremesa mais vendida atualmente foi criação da nossa franqueada Renata Almeida, que tem duas unidades, nos bairros de Ipanema e da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro”, lembra.

Renata conta que criou a sobremesa La Surprise em 2015 e submeteu a receita do novo prato à franqueadora. Depois, o prato foi incorporado ao cardápio de todas as unidades da rede. Em pouco tempo, a sobremesa passou a ser a que faz mais sucesso na rede.

A franqueada não ficou apenas nessa sugestão. Mais recentemente, outra de suas ideias, o Steak Tartare com 12 ingredientes, finalizado à mesa do cliente, passou pelo crivo da franqueadora e faz parte do menu de todas as casas L’Entrecotê de Paris. “Para tudo o que se leva ao franqueador, eles têm a postura de primeiro ouvir e analisar. Se for uma boa ideia, ela é adotada”, ressalta.

Cenários

O cenário é perfeito quando o franqueado encontra uma franqueadora aberta a sugestões. “Mas é preciso que esse franqueado respeite os trâmites impostos pela franqueadora para implementar as sugestões”, frisa Guedes. Segundo ele, nesses casos, se dá o encontro da criatividade de um grupo de pessoas muito grande e um franqueador com a cabeça aberta para as boas ideias vindas da rede.

O franqueado colabora, mas respeita o franqueador como detentor da marca, e a franqueadora participa e respeita o franqueado. O pior cenário, na opinião de Guedes, é quando se tem uma franqueadora arrogante, que não respeita o franqueado como operador e proíbe tudo. Ou o franqueado, também arrogante, que não respeita a franqueadora, como detentora e criadora da marca, e sai criando ao seu bel prazer.

Ele sustenta que, no dia a dia das franquias, é preciso estar muito bem atento. “Tem franqueado tomando iniciativa isolada, baixando preço sozinho, fazer o marketing sozinho, criando produto sozinho”, afirma o especialista, ressaltando os problemas dessa postura.

E isto não significa que os franqueados não possam contribuir de forma significativa para melhorar o desempenho da rede como um todo. Na verdade, existem maneiras do franqueado ajudar a rede a se desenvolver e, consequentemente, impulsionar o seu próprio negócio. Descubra!



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