6 passos para abrir uma franquia fora do Brasil

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Daniel Toledo - texto 6 passos para abrir uma franquia fora do Brasil
Daniel Toledo é advogado e sócio-fundador da Loyalty Miami. / Divulgação

Quase 140 franquias brasileiras atuavam no exterior em 2016, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Os Estados Unidos são, de longe, o país com o maior número de operações de redes de franquias brasileiras. Em seguida, vêm Paraguai, Portugal, Bolívia e outros países latino-americanos.

Essa realidade tem chamado a atenção de muitos brasileiros que sonham em mudar de vida ao abrir um negócio em terras estrangeiras. Essa não é, porém, uma decisão trivial. O investidor terá que ser flexível e estar disposto a se adaptar aos hábitos, às tradições e às burocracias do país que escolheu para abrigar seu empreendimento. O esforço, por outro lado, pode recompensar, por oferecer acesso a um mercado novo, além de outra qualidade de vida.

Para iluminar um pouco esse caminho, o portal Franquias de Impacto conversou com o sócio-diretor da Goakira, José Carlos Fugice, e com o advogado e sócio-fundador da Loyalty Miami, Daniel Toledo. Eles indicaram os passos para cruzar a fronteira e inaugurar um negócio lá fora. Conheça seis ações essenciais que devem preceder a abertura de franquias no exterior.

1. Conversar com quem já conhece o caminho

Nada melhor do que falar com pessoas mais experientes, que executaram planos similares, com ou sem sucesso, para conhecer melhor a realidade por trás do sonho. Investigue, estude e consulte franqueados que já percorreram o caminho que você escolheu. Com certeza, eles terão dicas preciosas. Para encontrá-los, use ferramentas como o LinkedIn ou peça indicações das redes de franquias.

2. Definir um objetivo claro, com metas detalhadas

É importante traçar uma linha do tempo com as metas a ser alcançadas e o prazo para cada uma. Assim, é possível se orientar em meio a um negócio que está começando. O franqueado deve trabalhar sob a luz do plano empresarial da franqueadora, mas o ideal é que ele também tenha seu próprio business plan. O documento deve prever, inclusive, o planejamento financeiro para os doze primeiros meses da unidade.

3. Verificar a capacidade de operação da franquia fora do Brasil

Antes de escolher uma marca, é essencial fazer uma análise minuciosa. É preciso responder à seguinte pergunta: qual é a capacidade desta rede de estar fora do País? “Sempre digo que é necessário ver as condições do franqueador e ver se ele tem realmente a capacidade de apoiar essa franquia internacional”, alerta Toledo. É preciso enxergar, antes de qualquer outra coisa, qual é a capacidade de produção e suporte que o franqueador brasileiro tem condições de dar ao seu franqueado no exterior. Só então, pode-se começar a avaliar se é vantajoso fechar o negócio.

4. Investigar a burocracia local e os detalhes do contrato

Procurar consultores, contadores e advogados locais com boas recomendações, que possam prestar assessoria na aplicação e administração de um investimento importante como uma franquia, é um bom caminho. “O advogado vai impedir que você procure as pessoas erradas que vão te vender o negócio que é melhor para elas, enquanto o consultor vai dizer o ‘não vai funcionar’ quando você estiver interessado em um mau negócio”, explica Toledo.

Além disso, há questões burocráticas que profissionais locais entendem com destreza – como contratos de aluguel, parceria e pagamento. Toledo lembra que o advogado deve ter registros e autorizações locais. Além disso, Fugice destaca que questões contratuais com a franqueadora, como prestação de suporte, envio de produtos ou insumos e a regra para abrir novas franquias, além de como a expansão será executada, são aspectos onde cai bem a orientação de um profissional.

5. Levantar os hábitos e os costumes locais

Franquias são negócios padronizados, com regras a seguir – mas é sempre importante verificar a capacidade do modelo de negócios de se adequar a realidades diferentes. Os hábitos de consumo, assim como os valores que o cliente está disposto a pagar por determinados produtos e serviços, podem ser drasticamente diferentes, mesmo entre os brasileiros que vivem na área. Deve-se, ainda, entender como a franqueadora costuma tratar do tema adaptação local, principalmente em redes com pouca experiência no exterior.

6. Determinar o melhor ponto comercial

Ao longo de sua experiência como advogado e consultor, Toledo já testemunhou grandes redes de franquia quebrarem durante a expansão nos Estados Unidos porque estabeleceram lojas em pontos que não condiziam com o perfil do negócio.

“Lembro particularmente de uma franquia de alimentação que veio para os Estados Unidos e quebrou porque achou que aqui teria o mesmo mercado que no Brasil”, diz Toledo. “Mas, além de o americano e o hispano não terem os mesmos costumes alimentares do brasileiro, a empresa gastou muito dinheiro para implantar uma grande loja em um bairro elitizado, quando o público alvo da marca era o público C.”

Ou seja, é essencial ter em mãos boas pesquisas de mercado, que sejam direcionadas e certeiras em definir o local de implantação de uma franquia, além de estudar muito bem as regiões escolhidas e conversar com quem já as conhece.



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