DRE: saiba como identificar manipulações

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Durante a procura por uma franquia, há muitos fatores que devem ser considerados antes de dar um próximo passo e, finalmente, fechar o negócio. Para auxiliar nessa busca, saber observar com clareza a Demonstração do Resultado do Exercício, documento contábil também conhecido por sua sigla DRE, é imprescindível para identificar possíveis manipulações.

Na DRE constam – ou, pelo menos, deveriam constar – dados que permitem detalhar a situação financeira de uma empresa e entender de que maneira se chegou ao resultado líquido de um exercício. De acordo com o economista e especialista em Direito Tributário Francisco Arrighi, diretor da Fradema Consultores Tributários, hoje em dia as DREs fazem parte do planejamento tributário da empresa e são utilizadas para diversas finalidades como, por exemplo, na avaliação bancária antes da concessão de empréstimo.

“As pessoas esquecem que a DRE é um instrumento de planejamento fiscal e financeiro. Se for bem utilizado, pode servir para quem está contratando a franquia conseguir ter uma ideia de se é um bom negócio, se vai resistir, se está gerando resultados, que projeções de custos existem e se os custos são compatíveis com o valor da mercadoria que está sendo oferecida, por aí afora”, aponta Arrighi.

COMEÇANDO SOZINHO

Para quem está começando a empreender, é possível analisar uma DRE por conta própria, embora seja mais seguro fazer isso com a ajuda de um profissional especializado. Caso a ideia seja tentar dissecar sozinho o documento, em geral há duas características que comumente são indicadas para considerar, a fim de saber se a franquia é rentável, o que são VGA e Margem Líquida.

A sigla VGA significa “Vendas, Geral e Administrativo” e corresponde a esses tipos de gastos. Em uma das linhas da DRE, teremos a informação sobre o Lucro Bruto da empresa. O ideal é que os gastos com vendas, geral e administrativo não ultrapassem 80% do lucro bruto, o que demonstra confiabilidade. Se uma empresa conseguir fazer cortes de gastos de modo a deixar o VGA abaixo de 80% do lucro bruto, temos aí um indicativo de administração confiável, embora, é claro, só isso ainda seja pouco no todo que se deve considerar.

Já a Margem Líquida corresponde a quanto cada unidade vendida trará em lucro líquido, ou seja, quanto efetivamente sobra para o empreendedor em relação às receitas. Para se obter a Margem Líquida, divide-se o Lucro Líquido (que deverá estar descrito em outra linha do documento DRE) pelo total de vendas, multiplicado por 100. A partir deste resultado teremos um percentual que, quanto maior, melhor.

DICAS DO ESPECIALISTA

Mas essa avaliação por conta própria não se resume a apenas estes dois elementos. O economista Francisco Arrighi acrescenta, ainda, que o ponto principal da análise desse documento é saber identificar quais são as fontes da receita: se operacional ou não operacional. Entende-se por resultado não operacional as receitas e despesas que não estejam diretamente relacionadas às atividades principais da empresa. Já as receitas operacionais decorrem das operações normais, que podem ser vendas de mercadoria e/ ou prestação de serviços.

Outro ponto importante é analisar o regime tributário: se está correto, de acordo com a atividade da empresa. É possível observar, então, se a empresa está fazendo um planejamento tributário para diminuir a carga tributária. Porque o tributo, em qualquer que seja o negócio, tem um impacto muito forte e diminui muitas vezes a rentabilidade da empresa, podendo lhe causar prejuízo.

Na DRE também é possível ao franqueador planejar a receita e coordenar o faturamento, identificando melhor os clientes, a melhor forma de venda (se pela internet ou por loja física, por exemplo) e permitindo apurar o custo da mercadoria; já ao franqueado, é por meio dessa documentação que é possível ter uma noção exata dos custos dos produtos comercializados, se eles estão sendo devidamente discriminados.

TUDO ÀS CLARAS

É justamente por causa desses custos que a palavra-chave ao se elaborar a DRE – e, logicamente, ao analisá-la – é a clareza dessas informações. Isso porque, como explica o economista, essas informações “podem ser manipuladas de forma fraudulenta por um contador para que ela traga um espelho errado para as pessoas que a estiverem analisando, mas sabendo o que deve constar o profissional vai identificar os pontos omitidos”.

Essas omissões é que vão gerar pegadinhas, às quais o futuro franqueado deve estar muito atento.



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