É possível ser funcionário e franqueado da mesma marca?

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Em 2001, Fernando Penques Malheiro deixou seu cargo no departamento de expansão de uma empresa do setor automotivo e aceitou uma proposta de emprego na primeira franquia do executivo José Carlos Semenzato, a Microlins. Fiel ao empresário, assumiu, doze anos mais tarde, uma posição de gerência em uma das marcas que viria a compor o conglomerado do empreendedor na SMZTO. Como ele próprio conta, quando tornou-se supervisor regional da OdontoCompany “já havia se surpreendido pelo modelo do negócio” No entanto, a dúvida que não saia de sua cabeça era: seria possível atuar como funcionário e franqueado da marca ao mesmo tempo?

Por estar em uma posição privilegiada numa das franquias odontológicas que mais cresce no país, Fernando pôde constatar a evolução dos franqueados e a rentabilidade do negócio. Da mesma forma, viu de perto a conquista de novos investidores, fatores fundamentais para a consolidação e a evolução de uma rede de franquias. “Durante quatro anos trabalhando à frente da marca, pude notar de perto o sucesso do negócio e isso me fez querer ser também um franqueado”, conta o empresário de 32 anos.

Dupla jornada como funcionário franqueado

Em novembro de 2017, Fernando abriu, em parceria com a esposa, Kelly Cristina Vaes Malheiro, a própria franquia OdontoCompany, na Cidade de Nova Granada (SP). A dupla jornada mostrou-se intensa desde a inauguração. Durante metade do dia, como colaborador da OdontoCompany, Fernando supervisiona as unidades franqueadas, presta suporte operacional e ministra treinamentos. Ao longo das horas restantes, analisa os relatórios, as contas a receber e as a pagar referentes ao próprio negócio, além de executar outras tarefas administrativas.

Por ter um modelo robusto e complexo, a franquia de Fernando conta, na frente operacional, com o trabalho de doze pessoas, entre funcionários e prestadores de serviços, coordenados por ele e a sócia, que também ocupa o posto de gerente da unidade.

“Minha dica para alguém nesta posição é delegar bem as funções e ter uma pessoa de confiança ao seu lado, um sócio, um gerente ou um gestor proativo e eficaz, que compartilhe as responsabilidades “, recomenda ele.

Equilibrando pratos

No caso de Jean Carlos de Souza, diretor de inteligência e proprietário de uma franquia do Banneg, a pessoa de confiança que ele escolheu para ajudá-lo a equilibrar as jornadas foi o próprio irmão, encarregado pela gestão dos funcionários que prestam serviços em sua unidade.

“Minha participação na franquia concentra-se nas questões mais estratégicas, como acompanhar o nível de satisfação dos atendimentos, a automação de e-mails, as postagens nas redes sociais e, principalmente, a análise de mercado”, explica o empreendedor de 45 anos.

Apesar de contar com alguém comprometido com o negócio, Jean reconhece que ter disciplina e administrar a jornada como funcionário e franqueado, sem permitir que ela comprometa a vida pessoal e o relacionamento com a família, é uma tarefa desafiadora.

“Embora não seja fácil ‘desligar o botão’, procuro me policiar bastante para não virar um workaholic e ser cobrado, no futuro, pela minha esposa e pelos meus filhos”, confessa. “A palavra-chave é disciplina, e o segredo é disponibilizar um tempo pré-determinado para cada uma das atividades”, aconselha.

Quais as vantagens de estar nos dois lados?

Durante estes seis meses como franqueado em São José do Rio Preto, Jean se deparou com situações em que demandas surgiram nas duas frentes e exigiram soluções simultâneas. E foi exatamente diante desse quadro desafiador que ele aprendeu não apenas que é necessário ser cauteloso para não atropelar os processos, mas também que a aprendizagem se dá, de fato, com a proximidade de ambas as funções.

“Isso possibilita me colocar no lugar dos funcionários quando estou no papel de franqueado e vice-versa”, diz. “Essa vivência amplia minha visão de mundo sobre o negócio”.

Quando a jornada é tripla

Entender as vantagens de exercer duas funções complementares também fez parte da experiência de Jacqueline Pereira dos Santos como franqueada. Ela é analista de relacionamento da Acqio, rede de franquias de soluções de pagamentos eletrônicos, há um ano e três meses. Em agosto de 2017, a jovem de 28 anos resolveu adquirir a própria franquia home based, após perceber o potencial de crescimento do negócio.

A rotina é apertada. Jacqueline estuda no modelo semipresencial de segunda a quinta-feira, entre as 7h e 9h; cumpre horário comercial na empresa de segunda a sexta-feira; e trabalha como franqueada após o expediente, dando início à sua operação home office.

Delegar vem a calhar

Jacqueline tem um funcionário que realiza as vendas das maquininhas de porta em porta, enquanto ela se dedica à administração dos credenciamentos. Segundo ela, embora a franquia seja um modelo home based, é necessário gerenciar o tempo para buscar clientes que tragam faturamento.

“Como durante a semana o tempo para focar na franquia é menor em função da carga horária de atendimento, direciono meus esforços nos finais de semana”, conta Jaqueline. “É difícil, mas com disciplina e auxílio dá para conciliar todas as atividades.”

Ficou inspirado por estas experiências de funcionários franqueados? Viu que é possível e quer tirar essa ideia do papel? Saiba quais são os pontos de atenção antes de assinar o contrato de franquia.



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