Gestão compartilhada de franquias não é consenso

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gestão compartilhada
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O mercado de franquias é bastante dinâmico. Por vezes, adapta-se ou incorpora novidades, sempre dentro dos limites do que é permitido e tolerado dentro das regras que regem o sistema como um todo. Algumas dessas situações são bem aceitas pelo setor, outras dividem opiniões. É o caso, por exemplo, de franquias em que o franqueado compra uma unidade, mas a franqueadora fornece gestão incluída no pacote. Representantes da Selfit, rede de franquias de academias de ginástica, prometem lançar essa possibilidade ainda este ano.  A MundoCheff, rede de lojas de utensílios de cozinha, já opera nesse sistema, segundo Roberto Vautier, especialista em Varejo da AGR Consultores.

Comprar uma franquia exige um investimento inicial que nem sempre cabe no bolso do futuro empreendedor. Por conta disso, segundo Vautier, alguns negócios levam mais tempo para encontrar candidatos com o perfil adequado para assumir uma nova unidade. “Diante desse cenário, franqueadoras passaram a trabalhar com um novo formato de negócio, que podemos chamar de gestão compartilhada”, afirma.  Vautier explica que, nesse modelo, o novo franqueado entra no negócio como um investidor, adquirindo um percentual da franquia e a franqueadora mantém a gestão total da operação.

Para o especialista da AGR, esse novo formato tende a ganhar espaço no País. “Abre o leque de oportunidades, tanto para os novos franqueados quanto para a franqueadora, que consegue melhorar sua eficiência na captação de novos candidatos, ou sócios para aquela unidade específica”, ressalta.

“Os percentuais de participação inicial costumam ser de 50% para cada lado”, detalha Vautier. Ele acrescenta que, se houver mais investidores, a divisão mantém-se sempre igual para cada um que detiver uma fatia do negócio. “Toda a operação, incluindo inauguração, compra de produtos, gestão de caixa, recrutamento, tecnologia, treinamento e comunicação, ficam sob responsabilidade da franqueadora.”

Riscos

Mas há quem considere arriscado esse modelo de gestão de franquias. É o caso, por exemplo, de Paulo Ancona Lopes, da Ancona Consultoria. “Esse modelo traz inúmeros aspectos negativos para ambas as partes”, sustenta o consultor. Para ele, também fere brutalmente o conceito do que seja o franchising e uma rede de franquias, “bem como as responsabilidades das partes”.

Ancona lembra que o papel de uma franqueadora é o de vender franquias, ceder a marca, treinar franqueados e acompanhá-los, dando o suporte necessário. “Ou seja, um prestador de serviços à rede; uma empresa que cria, formata, cede know how, acompanha a rede, num pacote completo de gestão do negócio”, ressalta.

De acordo com o consultor, ao franqueado cabe investir no negócio, seguir o padrão de operação definido e gerenciar seu negócio em todos os aspectos: pessoa, controles, sistemas, compras, vendas, estoques, fluxo de caixa etc. “O know how completo para isso tudo é obrigação do franqueador que, para isso, recebe taxa inicial e royalties”, lembra, Ancona.

Entre os riscos dessa nova modalidade, ambos os especialistas concordam. “É o mesmo que colocar o dinheiro em um banco de investimento e torcer para que o gestor da tua carteira faça bons investimentos”, compara Vautier, da AGR. Paulo Ancona cita a máxima ‘o olho do dono é que engorda o boi’. “Imagino que a pessoas que investem em franquias, dessa forma, acreditam que seja mais rentável e seguro do que num bom fundo de investimento. Esquecem que, ainda mais longe de seus olhos, correm o sério risco de perder inclusive o investimento feito”, adverte.

Fica a pergunta, o que rende mais? Investimento no mercado financeiro ou em franquia? Leia aqui.



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