O que aprendi vendendo coxinhas

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Venda de coxinhas (Foto: Shutterstock)
Venda de coxinhas (Foto: Shutterstock)

Abri meu primeiro negócio aos 23 anos, mas minha carreira em vendas começou dez anos antes. A ideia foi da minha mãe. Acredito que ela procurava um meio de permitir que eu ajudasse a compor a renda da família sem ter que acompanhar meu pai nas obras – o que ela achava muito perigoso. Então ela começou a fazer coxinhas, que eu saía vendendo de bicicleta pelas ruas de Lins, no interior de São Paulo.

Logo eu comecei a descobrir nichos de mercado, locais em que os meus salgados eram melhor aceitos. Havia um bairro em Lins com muitas casas em construção e minha clientela era formada pelos pedreiros, pintores, eletricistas e outros trabalhadores da região. Aprendi a fidelizar os clientes. Fazia sempre a mesma rota, mais ou menos no mesmo horário, e a minha chegada já não era surpresa, mas um momento aguardado. Algum tempo depois criei até uma caderneta onde anotava os pedidos de cada um, e recebia semanalmente, toda sexta ou sábado.

Eu vendia um cesto inteiro de salgados e voltava para casa, para reabastecer com produtos quentinhos e sair de novo. Quase todos os dias eram assim, eu fazia duas vezes o percurso para atender todos os clientes. Fiz isso por aproximadamente dois anos e meio, até conquistar meu primeiro emprego, em uma copiadora.

Me dei conta, anos mais tarde, de que apliquei na venda de salgados, de forma instintiva, todas as técnicas de vendas listadas nos manuais. Me preocupava com a boa apresentação do produto, a acomodação adequada, os preços compatíveis com o mercado e, ao mesmo tempo, com a minha forma de me relacionar com os clientes e ficar atento ao que poderia fazer para atendê-los melhor.

Foi com o fruto desse trabalho que minha mãe conseguiu comprar um Fusquinha 1962. Acho que foi esse momento que internalizou em mim a vontade de ir para o mercado, de vencer. E foi também um grande exemplo de uma lição valiosa, que levo até hoje: que só se vence pelo trabalho.

Essa experiência, somada com cursos e demais etapas de qualificação que vieram depois, foi essencial para a minha formação enquanto empreendedor, porque não importa o que você esteja vendendo e para que público, alguns princípios básicos se mantêm – e muito disso eu aprendi montado na minha bicicleta, vendendo coxinhas, em uma época em que nem imaginava aonde poderia chegar.

José Carlos Semenzato



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