Quem apostou em franquia, driblou a crise

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Quem investiu em franquia não enfrentou a crise (Foto: Shutterstock0
Quem investiu em franquia não enfrentou a crise (Foto: Shutterstock)

Na contramão de certo clima de incerteza e crise, 2017 foi um ano interessante para as franquias. Os resultados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) sobre o balanço dos negócios no ano passado transmitem otimismo: a receita do setor teve crescimento de 8%. Mais do que a Selic, a taxa básica de juros da economia, que fechou o ano em 7% e, atualmente, o juro básico que caiu para 6,5% ao ano.

Na avaliação da Associação, a performance positiva das redes está associada aos fundamentos do próprio franchising. “Os princípios básicos do sistema de franquias foram colocados à prova nesses três anos de recessão econômica. Foco em gestão, treinamento e inovação refletiram em bons resultados para o franchising como um todo”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Os números confirmam: o faturamento saltou de R$151,247 bilhões para R$163,319 bilhões. No quarto trimestre, em relação ao mesmo período de 2016, o setor também cresceu 8% e a receita passou de R$43,521 bilhões para R$47,014 bilhões. Quando comparados o terceiro e o quarto trimestre, a alta foi de 12,3%.

Segundo a professora de finanças do Insper, Juliana Inhasz, a crise impôs nova realidade à economia brasileira, com uma queda de demanda (consumo) e redução das oportunidades de retorno, dada a diminuição das taxas de juros e a redução da janela de oportunidades advindas dos investimentos conservadores de renda fixa, como títulos públicos.

Alguns empreendedores aproveitaram o momento para fornecer serviços personalizados, que mostrassem diferença significativa frente ao método de produção tradicional e captassem consumidores. “Muitas franquias mostraram grande retorno, especialmente aquelas que diferenciaram seu produto, com custo de produção mais favorável e preço compatível com o mercado consumidor em questão”, diz a professora.

Uma boa cesta para colocar os ovos

As franquias se mostraram alternativas interessantes para os investidores diversificarem sua carteira de aplicações, especialmente no momento em que os investimentos de renda fixa tornaram-se menos rentáveis por conta da redução da Selic.

O grupo SMZTO, por exemplo, teve crescimento de 2016 para 2017 de 67% no faturamento global. Para 2018, projeta uma expansão de 50%. “Algumas marcas se destacaram. A OdontoCompany prevê crescimento no faturamento de 64%”, conta Dino Sany de Freitas Batista, diretor financeiro da SMZTO. E apesar de o setor de alimentação ter sido atingido pela crise nos últimos anos, a rede L’Entrecôte de Paris, que também é do grupo, saltou 23% na receita no mesmo período. Para este ano, a expectativa é de um incremento de 30%.

A L’Entrecôte de Paris não é a única a ver um horizonte ensolarado à sua frente. Para Juliana Inhasz, em 2018, o investimento em franquias continuará em alta. “A recuperação da economia, ainda que lenta, tem melhorado as perspectivas de consumo e os dados mostram que o brasileiro tem consumido mais. As franquias, como fornecedoras de bens e serviços, também se beneficiarão desse movimento”, diz.

Frente aos demais investimentos (poupança, CDB e títulos públicos, por exemplo), as franquias devem, na média, ter rendimento maior, já que a queda da taxa de juros tem imposto redução significativa dos retornos dessas aplicações mais tradicionais. “No entanto, sempre é importante lembrar que os riscos aos quais esses investimentos estão expostos são diferentes dos riscos que as franquias apresentam, dada a aquisição de ativos imobilizados (instalações, máquinas e equipamentos) e custos fixos que não existem em investimentos financeiros”, ressalva a professora.

Compare, abaixo, os resultados de duas franquias da SMZTO com as principais aplicações do mercado:


Vantagens que dão lastro

Uma das grandes vantagens de apostar em franquias é a possibilidade de diminuir o risco do investimento e maximizar os retornos. “Investir em franquia é investir em uma marca que já tem credibilidade no mercado e fornece produtos e serviços que já foram testados”, resume Dino Sany. Isso cria maior garantia de mercado.

De acordo com o diretor da SMZTO, a franqueadora deve apresentar um plano de negócios com os demonstrativos dos investimentos necessários, além de todo o planejamento de custos e dar suporte para a implantação. “Isso tudo traz certa tranquilidade para o investidor, que normalmente não tem esse know-how”, explica. Quando a franquia já está em operação, terá apoio da franqueadora, ganhará com a economia em escala (compras e negociações) e com inovações em produtos e métodos de trabalhos sempre financiados pela rede. “Lembrando que tudo isso tem como base um contrato de franquia entre as partes”.



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